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transitante

Sábado, 01.11.08 às 16h. Espaço LCD, no Centro de Arte Hélio Oiticica.

Captar a sonoridade que vem da rua, gerada pela cidade com sua cacofonia de movimentos, de pessoas, de meios de transportes, de ruídos e barulhos muitas vezes não identificados, mas presentes, sempre foi o interesse do grupo Hapax. É a cidade como experiência. A performance como a experiência da cidade. A arte como uma experiência sensorial. Recorrendo a diversas linguagens – intervenção urbana, música, escultura-objeto, performance, arte pública – o coletivo faz uma constante investigação do som, dos corpos sonoros (dos transeuntes e dos próprios performes), produtores e receptores de ruídos que compõem o ambiente no espaço público. E tem usado também a tecnologia para lançar a cidade contemporânea numa ação lúdica e performática a partir de sua sonoridade, que poderá ser conferida em seu novo trabalho “Transitante”, em cartaz a partir de 1º de novembro no Espaço LCD, no Centro de Arte Helio Oiticica.

“Transitante” é um processo de pesquisa composto por três trabalhos que têm em comum o movimento, o som e a cidade: “Burro-sem-rabo”, “Chapa quente” e “Virtugravuras”. “Burro-sem-rabo”, um carrinho de mão usado por catadores e recicladores de resíduos urbanos adaptado com um aparelho de som que reproduz sons e ruídos criados em estúdio, fez parte de duas ações do grupo, em 2006, no Rio, e em 2007, em Belo Horizonte, no qual os integrantes do Hapax realizavam uma deriva com o carrinho por ruas das duas cidades. Além dos sons já gravados, eles captavam outros na hora com um pequeno gravador digital e, no final da caminhada, realizavam uma apresentação ao vivo. No Espaço LCD, “Burro-sem-rabo” não saí às ruas e fica como objeto de exposição reproduzindo os sons captados nas performances anteriores. “Chapa quente”, de 2005, é umobjeto sonoro imersivo formada por três chapas de ferro no chão que geram sons a partir de sensores que podem ser ativados pelo público.

Interligando as duas obras estão os vídeos produzidos pelo “Burromobile”. O programa – criado especialmente pelo grupo em parceria com o engenheiro cartógrafo Carlos Leonardo Povoa – converte coordenadas de GPS (aparelho de localização via satélite) obtidas em andanças do grupo pela cidade em som e imagem por meio de suas interfaces: um celular usado pelo Hapax e um computador que fica no espaço expositivo. A idéia é criar uma cartografia visual e sonora. Os padrões gráficos e sons foram obtidos em regiões diferentes da cidade especialmente para a exposição. Em três bairros do Rio, por exemplo, mapearam quadras, ruas e praças com o formato das letras que compõem a palavra “Pode”. Cada movimento gerou uma interferência sonora e um vídeo-poema. A experiência já foi usada com sucesso na performance em Belo Horizonte durante a deriva do grupo com o “Burro-sem-rabo” na capital mineira (daí o nome do programa ter sido batizado de “Burromobile”) e vem agora, pela primeira vez, ao Rio.

Espaço LCD
Centro Municipal de Arte Helio Oiticica
Rua Luís de Camões 62, Centro – 2232-4213
Terça-feira a sábado, das 11h às 17h.
Até 3 de dezembro