HAPAX Paris – Corpo em Ato e Instante

HAPAX Paris -Corpo em Ato e Instante
September 14, 2013 at 8:10pm
Hapax, retoma suas atividades, com uma exposição individual na MDM GALLERY – ex-11bis, em Paris, France. 14 a 25/09/2013
Para Ericson Pires, ativador do Hapax, que não distinguia instante de eternidade!

O Hapax surge no Rio de Janeiro em 2001 num momento em que a cidade emerge como uma nova zona de conflitos e de produção de linguagens. A cidade conflagrada por derivas, por onde passeamos, criamos percursos e circuitos, entramos e saímos do fluxo, afetamos e somos afetados pela violência e fazemos disputas cotidianas.

Habitar o presente e o aqui agora. Viver a rua, criar da rua. Hapax é uma plataforma instável que atravessa a produção de arte contemporânea a partir da música, política, poesia, performance, land art e principalmente criando experiências intensas de tempo e espaço. Um momento (inicio dos anos 2000) da emergência de coletivos como o Atrocidades Maravilhosas, Radial, Rés do Chão, Zona Franca que também pensam a cidade como a nova “fábrica” de linguagens.

O Hapax sempre funcionou para mim e para muitos como uma experiência intensa de possessão e catarse. A performance que explode a cena, a música eletrônica que detona um processo de invenção e destruição dos próprios instrumentos de percussão, apresentados como esculturas de sucatas, restos de processos industrias, um “lixo” extraordinário, uma fúria sonora que toma o corpo e que ativa o desejo de imersão e interação. Bater ferro até sangrar os dedos ou exaurir os músculos e turbilhonar o corpo todo. Uma espécie de apocalipse e pequena morte ritual e sonora.

As sequências finais de uma apresentação do Hapax sempre foram algo explosivo e desconcertante, tirando os “ex-pectadores” de seus eixos e criando uma zona de contágio e imantação mágica e singular. Uma violência de criação/destruição produzindo turbulências e intensidades.

Instantes necessários e encontros instantâneos. Essa dinâmica das apresentações do Hapax parece sempre testar e forçar os limites da cena, em um descontrole e fúria que sempre atravessou diferentes trabalhos do grupo/coletivo. Nas ruas, nos palcos, na pista, no risco.

Confrontados às instituições de arte, ao mercado, aos curadores, às alianças e capturas de toda ordem, confrontados ao próprio desejo, o Hapax sempre apontou para esse limite e questão: é possível criar sem produzir restos, sem produzir obras, sem objetos de arte?

É vivendo esse paradoxo que chegam em uma galeria de arte de Paris, pois parte da sua estratégia sempre foi atuar por dentro e por fora dos poderes e espaços constituídos. Uma mobilidade decisiva hoje.

Quem sobre as tensões da cidade é o corpo, interface que conduz o impacto do som e conecta espaços imantados. O corpo atravessado de temporalidades.

Colocar o corpo em obra, atravessando a cidade, batendo ferro, fazendo “artes marciais” em alta voltagem, atravessando os espaços mais díspares das cidade. E perguntando sem cessar: O que está acontecendo? E que tempo nos resta? O presente é urgente!

As manifestações e protestos no Brasil desde junho de 2013 parecem ecoar a fúria e beleza de uma linguagem em revolta que o Hapax ativa através do som e do corpo,uma performance potente que cria um desejo e uma violência de transformação. Um momento que os corpos em cena e em ato são percebidos como uma anomalia selvagem, um excesso, uma hybris e a linguagem produz novas partilhas do desejo, torna-se política.

Hapax,Parix! (sexta-feira 13 de setembro de 2013).